Imposto da Bolsa

Direito de subscrição de ações: como funciona o imposto na venda e no exercício

Preço médio · publicado em 4 de outubro de 2026

Resumo rápido

  • Vender o direito de subscrição (sem exercer): lucro tributado em 15%, sem a isenção de R$ 20 mil das ações — entendimento confirmado pela Receita na Solução de Consulta Cosit nº 166/2021.
  • Exercer o direito (comprar as ações novas): não gera imposto na hora; o preço pago soma ao custo de aquisição das ações.
  • Direito recebido de graça por já ser acionista entra com custo zero, salvo valor atribuído pela própria empresa no evento.

Quando uma empresa faz uma subscrição (emissão de novas ações), quem já é acionista recebe o direito de comprar as novas ações a um preço fixo, geralmente abaixo da cotação de mercado. Esse direito circula na B3 com seu próprio ticker (letra final diferente, como PETRJ) e pode ser vendido, exercido ou deixado expirar. Cada caminho tem um tratamento tributário diferente.

Vendeu o direito sem exercer: 15%, sem isenção de R$ 20 mil

Se você vende o direito de subscrição na bolsa — em vez de usá-lo para comprar as ações —, o resultado é tributado como ganho de renda variável comum: 15% sobre o lucro, ou 20% em day trade. A diferença importante em relação às ações: não existe isenção de R$ 20 mil para a venda de direitos, mesmo que o valor movimentado no mês seja pequeno. A Receita Federal confirmou esse entendimento na Solução de Consulta Cosit nº 166/2021: a isenção da Lei 11.033/2004 vale para ações, não para o direito em si.

Exemplo: você recebeu direitos de subscrição com custo de aquisição zero (atribuídos pela sua posição em ações) e vendeu por R$ 800 no mês, sem nenhuma outra operação. Mesmo abaixo de R$ 20 mil, o lucro de R$ 800 é tributado: R$ 120 de imposto (15%), a recolher via DARF código 6015 se superar o mínimo de R$ 10.

Exerceu o direito: vira custo da ação nova

Exercer o direito — pagar o preço de subscrição para receber as ações novas — não é fato gerador de imposto. O valor pago soma ao custo de aquisição das ações recebidas, e o preço médio da posição é recalculado normalmente.

Exemplo: você tinha 200 ações com PM de R$ 25 (custo R$ 5.000) e exerceu o direito de subscrever mais 20 ações a R$ 18 cada (R$ 360). Novo custo total: R$ 5.360. Nova quantidade: 220. Novo PM: R$ 24,36.

A lógica é a mesma de uma compra comum — veja o passo a passo completo em como calcular o preço médio de ações.

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Deixou o direito expirar sem vender nem exercer

Se você simplesmente deixa o prazo do direito vencer sem vender nem exercer, ele perde o valor e não há o que declarar: não houve venda (logo, nenhum ganho a apurar) e não houve exercício (logo, nenhum custo a somar).

Qual é o custo de aquisição do direito?

Quando o direito é atribuído gratuitamente pela sua posição em ações (o caso mais comum), o custo de aquisição dele é zero — todo o valor da venda vira lucro tributável. Se você comprou o direito na bolsa (de outro investidor, antes de vender ou exercer), o preço pago é o custo de aquisição, e o lucro é calculado pela diferença.

Como declarar

  • Venda do direito: resultado do mês entra na ficha de Renda Variável, junto com as demais operações tributáveis (não misture com a isenção de ações).
  • Exercício: não gera lançamento isolado; o custo pago aumenta o valor do item de Bens e Direitos da ação correspondente.
  • Direitos em carteira em 31/12 (ainda não vendidos nem exercidos): podem ser informados em Bens e Direitos pelo custo de aquisição, que costuma ser zero quando recebidos por bonificação de direito.

Perguntas frequentes

A venda de direitos de subscrição entra na conta dos R$ 20 mil das ações?

Não. Direitos de subscrição têm tributação própria, sem a isenção de R$ 20 mil — todo lucro na venda é tributado em 15% (ou 20% em day trade).

Exercer o direito de subscrição gera imposto?

Não no momento do exercício. O valor pago soma ao custo de aquisição das ações, e o imposto só aparece quando essas ações forem vendidas no futuro.

Perdi o prazo e o direito expirou. Tenho prejuízo a declarar?

Não. Direito que expira sem venda nem exercício simplesmente deixa de existir, sem gerar ganho nem prejuízo a apurar.